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26
Ago20

Nem todos temos de gostar de arroz

por Patrícia Fragoso

É verdade que isto do arroz tem muito mais do que se lhe diga. Até que ele se digne a chegar ao prato de alguém, já deu muitas voltas. Passa ele por um processo de transformação, designado por beneficiamento do arroz.

É aqui que se aumenta a durabilidade do grão e reduz o tempo de cozedura.

Depois, lá surge o arroz cateto, arbóreo, selvagem, negro, carolino, basmati, vaporizado, thai, bomba, enfim... há arroz para todos os gostos.

Das feiras e compras a granel, a mercearias e hipermercados, lá está ele à espera de ser cozinhado, pronto para pratos chiques e menos chiques, pratos da gente fina e pratos da plebe, por aí.

Mesmo que o arroz, na verdade, não saiba a nada. Porque não me venham com histórias de que o arroz simples é bom. O tempero e a mão são o que lhe dão gosto.  

Não esquecendo que surgem receitas milagrosas para quem quer perder uns quilinhos, comendo arroz. Porquê? Porque é rico em nutrientes e fibras, porque dá uma certa força para emagrecer, não se sente fraqueza e também não se passa fome.

O que muita gente se esquece no meio disto tudo é que nem todo temos de gostar de arroz.

Nem todos temos de seguir certo padrão que nos é imposto desde cedo, desde quando começamos a introduzir os alimentos que não o leite em pó ou da maminha da mãe, quando nem a sociedade tem esse chamado padrão.

E depois, claro, quando crescemos e não gostamos de arroz já somos mal interpretados, somos categorizados como se isso nos definisse, até mesmo por aqueles que não sabem cozinhar o “bendito” arroz.

Por favor, que não me falem de dietas esses que as fazem, quando a única coisa que me podiam argumentar já foi engolida. Arroz.

Ainda há outra coisa que não consigo perceber e se alguém souber que me explique. Porque é que atiram arroz aos noivos em sinal de fertilidade? Por acaso sabem se eles querem cozinhar para os filhos ou até se querem ter filhos?

Sim, mais um padrão da sociedade. Ah, e infertilidade não significa impotência!  

Que aprendam todos a respeitar as dietas e gostos de cada um e não me impinjam arroz ao pequeno-almoço, ao almoço,até no raio da ceia, está bem?

Já estou cheia e acreditem que não foi de arroz!

Quanto à minha dieta, sei lá, também eu já a comi!

 

Olá a todos!
A Gala dos Autores está a chegar e com ela surgem os prémios mais esperados do ano, no mundo dos autores.
"Sol, o Gato Poeta" está nomeado nas categorias: Livro Infantil e Escolha do Leitor.
Tatiana Dolgova (ilustradora do Sol) também está nomeada para o prémio de Melhor Ilustrador.
Votem no livro do Sol (podem e devem fazê-lo uma vez por dia).
 
Uma miadela de agradecimento para todos vocês e para a Cordel d' Prata 😺

24
Ago20

Entrevista à Cordel D'Prata

por Patrícia Fragoso
Olá!
Dei uma entrevista à Cordel D'Prata sobre como foi para mim esta experiência de lançar um livro.
Cliquem no link e leiam tudo!
 
Espero que gostem! 😘
 
https://cordeldeprata.pt/sim-sou-um-novo-autor-e-entao/?fbclid=IwAR1n8j-bVeRdepcxwOa6_pqJX_BP29i9OvK1nozBeKiZnBDWOulZOD5ADoE
 

capasol.jpg

 

 

02
Ago20

Nula

por Patrícia Fragoso

Sabem o meu nome, a minha idade, os locais que frequento, com quem já não me dou e afirmam que me conhecem.

Sabem que sou louca porque falo sozinha na rua.

Sabem que sou egoísta porque quero o melhor pastel de nata do café.

Sabem que sou rude porque não sorrio a qualquer um.

Sabem que sou solitária porque não tive descendentes.

Sabem que sou vazia, sem interesse e não sabem bem porquê.

Um dia, hei de ganhar coragem e falar com eles para que também eu possa saber um pouco mais sobre mim.

Ainda não estou preparada, tenho receio de me conhecer pela boca do mundo.

Tendem a ver-me como eles próprios são, não como eu realmente sou, porque não se deram ao propósito de me conhecer.

Assim se vai perdendo o tempo, assente nessa realidade nula.


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